Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 20% dos casais têm problemas de infertilidade. O percentual divide-se igualmente entre homens e mulheres

O sonho de ter um filho próprio por métodos convencionais nem sempre é conseguido pelos casais. Dados da organização Mundial de Saúde apontam que 10% dos homens e 10% das mulheres apresentam algum tipo de disfunção, que os impossibilitam ter filhos. No entanto, graças às técnicas de inseminação artificial a situação tem sido favorável para os casais conseguirem seu objetivo. O primeiro bebê gerado por meio de fertilização in vitro(FIV) nas em 1978, na Inglaterra. Em Santos, o primeiro caso de FIV foi realizado pela Clinimater há exatamente 10 anos.

Especialista em Reprodução Humana, o médico Condesmar Marcondes de Oliveira Filho conta que o tema sempre gerou preconceito. “Não pudemos divulgar nosso primeiro bebê de proveta. O casal tinha medo de causar problemas à criança. O homem não admitia ter problemas e a cobrança era feita somente para a mulher. Com a vasectomia o público masculino foi perdendo o preconceito. Os homens haviam essa cirurgia e que queriam ter filhos novamente passaram a nos procurar”.

Durante os 21 anos de existência da clínica, cerca de 300 pessoa nasceram pelos métodos de inseminação artificial.

 

Anormalidade

Segundo Condemsar, o índice de anormalidade para bebês gerados por inseminação artificial é igual à reprodução normal. “Mas como escolhemos os embriões mais saudáveis, acredito que haja menos chances de terem problemas”.

O médico explica que os doadores de sêmen são geralmente, jovens universitários que querem fazer exames de doenças sexualmente transmissíveis (DST), como AIDS e sífilis. Já as moças podem receber abatimento do tratamento se tiverem problemas de infertilidade.

“Aqui esses exames são gratuitos. A doação é voluntária e o doador nada recebe. Mesmo porque isso é proibido por lei”. Os óvulos duram cerca de 48 horas; Já os espermatozoides podem ser congelados por até 30 anos. O tratamento varia de R$2 a R$10 mil, dependendo do que será realizado.

O especialista alerta que adolescentes que tenham câncer podem congelar o esperma antes de fazerem sessões de quimioterapia ou radioterapia, que podem provocar a esterilidade. “Temos feito um trabalho junto aos clínicos para que alertem seus pacientes”.

 

Casos

A inseminação artificial trouxe felicidade à professora Sílvia (nome fictício) e seu marido. Após várias tentativas, ela não consegui engravidar. Nos exames, descobriu que tinha grande aderência nas trompas e precisava desobstruir o canal para ter a fecundação.

“Podia ter tentado novamente, mas não quis esperar. Até mesmo pela idade, já que estava com 38 anos. A ansiedade e o nervosismo mexem com o casal. Meu marido sempre disse que a Medicina existe para ajudar as pessoas”. Ela Fez FIV (quadro) e deu certo. Hoje tem uma menina de dois anos.

A professora ficou contente que o desejo de ser mão aflorou mais uma vez. Sílvia se submeteu ao tratamento novamente e há dois anos é mão de lindas gêmeas. As duas gestações foram tranquilas e saudáveis. “O processo é calmo, indolor e rápido. Realizei meu desejo de ser mãe aos 40 anos. Adorei. Faria tudo novamente. Quem sabe da próxima vez não vem um menino?”

 

Adoção

Outra opção para quem possui dificuldades de ter um bebê é adoção. Essa foi a escolhe do professor Alberto (nome fictício), que possui baixa motilidade (baixa concentração de espermatozoides móveis), e de sua esposa.

O casal irá adotar uma criança, mas não descarta a possibilidade de ter seus próprios filhos. “Ainda temos chance ter uma criança”. Para tentar resolver os problemas, o professor tem se submetido a sessões de acupuntura.

 

Associação

Uma alternativa para tratamento com preços mais acessíveis é a Associação da Fertilidade que oferece tratamento com pagamento facilitado e custos reduzidos, com a mesma infraestrutura de uma clínica particular.

 

De acordo com o último levantamento da Associação, no mês de maio, das 13 pessoas que se submeteram às técnicas de reprodução assistida, seis engravidaram. A associação fica na Avenida Indianópolis, 843, no bairro Moema, em São Paulo. Mais informações pelo telefone 0800-7712949.

 

Igreja

“Para a igreja quanto mais as pessoas seguirem o caminho natural, melhor”, diz o bispo diocesano Dom Jacyr Braido.

Porém, ele ressalta que a ajuda da Medicina é válida. “Desde que o casal prazer a ética e dignidade do ser humano. Se o casal chegar ao ponto que eticamente o caminho é arriscado, é melhor continuar sem filhos”.

O bispo não concorda com o método da inseminação com sêmen do doador. “Como ficará a cabeça dessa pessoa quando ele questionar essa situação?”.

 

Métodos de tratamento

 

Inseminação Artificial com Sêmen do Marido (AIH)

Indicada para casais cuja esposa tem ciclos ovulatórios, trompas permeáveis e o sêmen do marido alcança uma concentração de, no mínimo, 10 milhões de espermatozoides móveis após o preparo. O índice de gravidez desta técnica é de 10 a 15%.

 

Inseminação Artificial com Sêmen do Doador (AID)

Indicada para casais onde a causa da esterilidade é ausência de espermatozoides tanto no ejaculado quanto no material de aspiração no testículo. Assim como na AIH, as pacientes devem ser ovulatórias e terem trompas permeáveis. A taxa de gravidez é de 20%.

 

Fertilização In Vitro (FIV)

Técnica de reprodução assistida, onde o encontro do espermatozoide com o óvulo ocorre fora do corpo da mulher. Indicada para casais com obstrução tubária, idade acima de 35 anos e sêmen com concentração entre 5 a 10 milhões após o preparo ou baixa motilidade. A taxa de gravidez é de 30 a 35%.

 

Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide (ICSI)

Um espermatozoide selecionado é injetado dentro do óvulo com uma microagulha. Após 48 horas os embriões obtidos serão transferidos para o útero da paciente. Indicada para casas com baixa concentração de espermatozoides, de motilidade e morfologia; além de casais que não tiveram sucesso na FIV e/ou que mesmo com embriões de boa qualidade não engravidara. O índice de sucesso é de 35%.

 

Fonte: Boqueirão News